Um programa da:

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No Brasil, vivem hoje mais de 50 milhões de pobres, dos quais, pelo menos, 32 milhões em estado de indigência, sem que haja por parte dos governos programas de fôlego para assisti-los completamente. Esse quadro tende a ter suas cores reforçadas na medida em que o desemprego e a exclusão prosseguem em ritmo acelerado.

A superação desse desafio exige a participação de todos, em um movimento político e solidário, que entendem ser a construção de um programa de contra a insegurança alimentar um instrumento imperativo na luta pelo resgate da dignidade dos excluídos.

Neste contexto, a constituição do Banco de Alimentos Municipal de Santo André como instrumento de luta contra o desperdício de alimentos e combate à fome, antes de tudo, tem o mérito de resgatar o sentimento de solidariedade daqueles que têm para com os que precisam de tudo.

Banco de Alimentos - uma ótima idéia

Nos anos 60, a situação de pobreza de um contingente expressivo de moradores da cidade de Phoenix, no Arizona (EUA), motivou inúmeras instituições assistenciais locais a procurar alternativas que ampliassem sua capacidade de atendimento às necessidades daquela parcela da população.

Entre os voluntários que participavam desse trabalho, estava John Van Hengel. Uma mãe de nove filhos relatara-lhe como ela, pobre e com o marido cumprindo pena, conseguia manter as crianças alimentadas, valendo-se de produtos que caíam dos caminhões durante as entregas feitas em um supermercado vizinho.

Ela sugeriu a Van Hengel que a experiência fosse passada para outras mães. Ao invés disso, ele e outros voluntários organizam uma coleta de alimentos nos supermercados de Phoenix. Em 1967, nascia o St. Mary's Food Bank, o protótipo do Banco de Alimentos. Rapidamente o conceito se difundiu pelos Estados Unidos e depois pela Europa.

De maneira geral, o funcionamento dos Bancos de Alimentos é o mesmo em todos os lugares onde existem: coletar, junto aos setores de alimentos, produtos próprios para o consumo, mas que, por motivos diversos (troca de marca, defeito de rotulagem, deformações em embalagens, datas de vencimento muito curtas), não serão comercializados. Os gêneros doados são selecionados e distribuídos gratuitamente às entidades sociais, de acordo com suas necessidades reais.


O primeiro Banco Municipal de Alimentos América Latina

A constituição em Santo André de um Banco Municipal de Alimentos (BMASA), coordenado pela Companhia Regional de Abastecimento Integrado (Craisa), no dia 24 de novembro de 2000, foi um marco para a política de segurança alimentar no município e uma referência, como primeira instituição pública do gênero na América Latina, para outras iniciativas em todo o País, inclusive para o Programa Fome Zero, do Governo Federal.

O trabalho do Banco de Alimento de Santo André vem despertando o interesse de várias prefeituras do Brasil, que solicitam o projeto para implantação em seus municípios. Na região, a atuação do Banco não se limita apenas à distribuição de alimentos mas também à realização de cursos sobre nutrição, manipulação de alimentos e culinária, entre outros, ministrados por sua equipe de nutricionistas e profissionais da Craisa, do Departamento de Vigilância à Saúde e do Sesi.

Para receber as doações as entidades de Santo André, deverão estar registradas no Conselho Municipal de Assistência Social e/ou no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente ou estar em processo de registro.